3 de julho de 2008

Novas Perspectivas em Saúde: a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados

A poucos dias da divulgação do segundo relatório de monitorização das alterações no Sistema Nacional de Saúde (SNS) introduzidas pela implementação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) de saúde e apoio social em Portugal, torna-se pertinente recordar a importância do projecto, bem como o papel estratégico da rede na modernização das respostas sociais e de saúde no país e o seu contributo para a melhoria dos cuidados prestados.

Em funcionamento desde Maio de 2006, o projecto da RNCCI tem como principal objectivo promover a continuidade dos cuidados de saúde e apoio social a todo o cidadão que sofra, temporária ou indefinidamente, de algum grau de dependência. Este conceito, inovador em Portugal, surgiu na sequência de novas necessidades em saúde no nosso país, determinadas pelo envelhecimento demográfico, o aumento acentuado de prevalência de doenças de evolução prolongada e com elevado grau incapacitante e as crescentes alterações na estrutura social e familiar.

A RNCCI constitui um modelo descentralizado de prestação de cuidados, que se pretende sustentado e articulado pelos dois níveis dos serviços do SNS, cuidados primários e cuidados hospitalares, complementando esses dois níveis com respostas diferenciadas consoante as necessidades de tratamento do doente.



Dois anos depois da implantação, são as Unidades de Cuidados Continuados Integrados do conhecimento do público?





A instituição da RNCCI resulta de uma parceria entre os Ministérios da Saúde e da Segurança Social, assentando, assim em dois pilares essenciais. O primeiro pilar é o SNS: os Cuidados Continuados Integrados (CCI) fazem parte do SNS, devendo adaptar-se ao perfil de cada doente. O segundo pilar é a Segurança Social: os CCI contam com o apoio de todas as instituições de solidariedade social que, na área geográfica da residência do doente, possam prestar serviços comunitários de proximidade e apoio ao doente e dos Centros Distritais de Solidariedade e Segurança Social, que constituem um apoio na decisão e na ajuda ao investimento, ao acompanhamento e à avaliação dos resultados.


Ao fim de um ano de actividade da extensão da RNCCI, os números falam por si:



Um caso de sucesso: UCCI da Santa Casa da Misericórdia de Riba d’Ave


A Santa Casa da Misericórdia de Riba d’Ave é uma das três unidades de saúde do distrito de Braga escolhidas para participar na experiência-piloto de instalação de Unidades de Cuidados Continuados Integrados. O serviço recebe doentes de toda a zona norte do país, que são distribuídos dentro da unidade de acordo com a pré-triagem realizada no exterior.


Aqui, cada hora é dedicada ao doente, procurando promover ao máximo a sua autonomia num período pós doença. A principal missão desta equipa de saúde é procurar que o doente regresse ao seu domicílio o mais independente possível.





O projecto está em funcionamento desde 2006, e a UCC de Riba d’ Ave continua a ser a maior do distrito e a única preparada para responder com eficácia às três vertentes da rede de Cuidados Continuados. Conta com 39 camas, distribuídas pelas unidades de Convalescença de Média e Longa Duração.







No momento da alta, esta é planeada pelo núcleo organizacional da Unidade em conjunto com os Centros de Saúde, de modo a que se consiga a melhor continuidade de cuidados para o utente.

Reúnem-se, assim, um conjunto de profissionais e de factores cuja essência converge para um fim único: minorar as dependências reais dos doentes e das suas famílias, contribuindo para a melhoria crescente dos cuidados de saúde em Portugal.

Como aceder à RNCCI

A Associação para o Desenvolvimento de novas Iniciativas para a Vida (ADVITA), entre outras dicas sobre os Cuidados Continuados, dá a conhecer ao cidadão como pode integrar a rede dos CCI, quer se encontre internado num hospital, quer no seu domicílio.

23 de junho de 2008

22 de junho de 2008

Imprensa em novo formato

Foi apresentado no passado dia 4 de Junho, no 15º World Editors Forum, o protótipo do 3030, um novo formato de jornal impresso. Apresentado pela Innovation Lab., este novo conceito de jornal resulta de uma parceria com a Bermer & Company. Segundo a Innovation, algumas horas depois da apresentação, editores de vários países, nomeadamente França, EUA e África do Sul, entraram em contacto, interessados em explorar o formato 3030 nos seus mercados.

(Imagem: http://www.innovationsinnewspapers.com/index.php/2008/06/04/2008-wan-congress-13-prototyping-the-newspaper-of-the-future/)

Com um projecto gráfico inovador, o “jornal do futuro” é descrito da seguinte forma:

“Short and deep.
Newsy.
Smart.
Sharp.
Less of More
More of Less.
Analytical.
Easy to read.
Handy.
Caviar Journalism!”

Por ser mais maleável e mais fácil de transportar do que os jornais tradicionais, este novo formato pode significar uma lufada de ar fresco para a imprensa que tem visto a sua continuidade ameaçada na era onde as novas tecnologias imperam. Vivemos um tempo sem tempo para nada, um tempo de instantaneidade onde já não basta dar a informação mais recente, há que ser o primeiro a fazê-lo, e fazê-lo de forma apelativa.
Por alguns considerada um fenómeno social de grande influência no jornalismo, a Internet veio operar significativas mudanças quer no formato, quer nos conteúdos jornalísticos deste novo século. Mudanças inimagináveis quando, há seis séculos atrás, Gutenberg criou a prensa e com ela, o primeiro livro impresso: a Bíblia.

Séculos de evolução: da prensa aos bites
Depois da invenção da prensa, em 1451, tornam-se comuns, já no século XVI, os panfletos. Vendidos nas feiras, não eram mais do que folhas soltas de papel onde se relatavam os feitos políticos, os crimes ou ocorrências miraculosas.
Dois séculos depois, em 1702, surge aqule que é considerado o primeiro jornal do mundo: The Daily Courant. Mas é com o desenvolvimento dos transportes ferroviários que a distribuição da imprensa se agiliza e, por consequência, se desenvolve. Porque chegavam a mais gente e mais rápido, os jornais passaram a ser um bom meio de divulgação de anúncios.
É também desta altura que datam as primeiras agências de notícias nos EUA e na Europa.
Estava lançado o mote para o desenvolvimento do jornalismo impresso que, apesar das profecias dos mais pessimistas, sobreviveu às provações do século XX: o aparecimento da rádio e da televisão.
Com um novo século, surgem novas provações, das quais o advento da Internet assume posição cimeira. O que temos hoje é um jornalismo em mudança que procura adaptar-se à nova era das tecnologias, tornando-as suas aliadas num novo conceito de jornalismo - ciberjornalismo.




(Ciber)jornalismo da actualidade
Fruto da aliança entre o jornalismo e as novas tecnologias, surge uma nova forma de fazer jornalismo. Inovador nos meios e no modo como chega ao público, vários são os nomes que lhe são atribuidos: jornalismo online, ciberjornalismo ou jornalismo digital.
Neste 'novo' meio onde a multimodalidade oferece um sem número de possibilidades, o ciberjornalista tem de saber informar dando ao leitor a hipótese de ir mais além do que aquilo que está a ler. Hipertexto, fotografia, vídeo, áudio, são ferramentas que o jornalista pode utilizar para transportar o leitor para outro plano que não apenas o da descrição dos factos.
Numa altura em que o cidadão pode, por si próprio, sem necessidade de intermediários, procurar, editar e publicar informação, motivar a discussão pública e até mesmo trazer temas para a agenda pública, mais do que informar, o repórter tem de saber cativar, prender, sob pena de cair em desuso pagar por um jornal para se estar informado.
Evitar que tal aconteça é o propósito dos media tradicionais que optam por aderir à onda do digital, ainda que o façam de maneira um pouco "rudimentar". Na maioria dos casos, o que vemos online não vai muito mais além do que se pode ver na versão impressa com o acrescento de link's. Desta feita, a criatividade que se espera do ciberjornalismo cai por terra.




Por uns tida em conta como o motivo de declínio da imprensa, a tecnologia, mais concretamente a Internet, é por outros considerada uma mais-valia para os jornais impressos. Serve-nos de exemplo a nova edição digital do San Jose Mercury News, da Califórnia.
Em Portugal, embora ainda numa fase embrionária, já podemos contar com jornais de edição exclusivamente online, como seja o Diário Digital e o Portugal Diário.
A pergunta que se levanta é saber se no futuro as pessoas vão preferir ler e comentar notícias na web em outros formatos, sem qualquer referência a papel ou a edições diárias de qualquer título. E a questão permanece sem resposta, continuando a alimentar as discussões: será que a imprensa irá sucumbir aos avanços da Internet no campo a informação?



12 de junho de 2008

A Selecção Nacional na rede

Há quatro anos atrás, Scolari conseguiu desencadear no povo português um fenómeno de apoio à Selecção Nacional como não há memória. O lema “ponham bandeiras nas janelas” correu o país de lés a lés e as manifestações de apoio assumiram várias modalidades: andaram sobre rodas, voaram pelos céus e até nos barcos dos pescadores se entoavam cânticos de incentivo.
Desta vez o Euro está mais longe, mas as fronteiras físicas não são obstáculo para os portugueses. Vale-lhes a Internet e as facilidades que esta oferece de editar conteúdos sem restrições de espaço ou tempo.
Um pouco pelas várias plataformas, criam-se blogues exclusivamente dedicados ao Euro 2008 e à Selecção e nos já existentes, de quando em vez, lá vem a opinião sobre o jogo, a mensagem de incentivo, a mostra do frenesim que pela Suíça se vive.
“Vestidos” de vermelho e verde, com bandeiras e cachecóis, assumem-se apoiantes da Seleccão e quase oficiais do EURO .
Mas não é só através dos blogues que os portugueses lembram à Selecção que estão a torcer pelas vitórias. No sapo, por exemplo, foi criada a Comunidade Selecção Nacional, uma comunidade online que partilha opiniões, vídeos, fotos e notícias, tudo dedicado exclusivamente à equipa das Quinas.
Há ainda os vídeos no youtube. Esses são mais do que muitos e incidem sobre vários aspectos da equipa portuguesa. Há-os com trechos de jogos, com imagens da euforia dos portugueses emigrantes na Suiça à chegada da equipa, mas, essencialmente, vídeos "personalizados", incentivando todos os portugueses a darem o seu apoio aos jogadores.